O Flagelo das Drogas sobre a Juventude
2 de junho de 2011
As atividades da minha ação parlamentar têm-me levado a travar contato com uma realidade assustadora da juventude, principalmente nos médios e grandes municípios do Estado. Milhares de jovens sul-mato-grossenses estão envolvidos com as mais diversas modalidades de violência. Prostituição, homicídios, furtos, roubos, estupros, formações de quadrilhas, bandos e gangues e, especialmente, o tráfico e o consumo de drogas ilícitas, são algumas das manifestações dessa violência no universo juvenil.
São preocupantes as estatísticas. Só em Mato Grosso do Sul 75% da mortalidade juvenil tem causas violentas. A questão da relação dos jovens com as drogas é um debate que precisa ser travado sem os mitos, reservas e preconceitos que o contaminam há quase quatro décadas, desde que o ex-presidente Richard Nixon usou pela primeira vez a expressão “guerra às drogas”, para se referir à política americana de enfrentamento ao tráfico internacional de entorpecentes.
Parte considerável da juventude está imersa nesse submundo de vício, violência, dinheiro aparentemente fácil e escravidão. Os presídios do Estado estão lotados de jovens de até trinta anos de idade que “caíram” nas operações policiais. Muitos são “mulas”, que foram pegos transportando pequenas quantidades de droga, na maioria das vezes, escondida no próprio corpo. São moças e rapazes que se envolveram com o tráfico de drogas, muitos por falta de melhores perspectivas de vida e alguns em busca de aventura, “adrenalina”, como eles dizem.
Nesse ambiente, a expectativa de vida despenca. Normalmente, esses jovens morrem antes de completar trinta anos de idade, muitos não passam a barreira dos vinte e cinco. A maioria abandona a escola antes de concluir o ensino fundamental. Muitas famílias desagregam-se e são também arrastadas para o “underground” do tráfico. Os danos são enormes, não só para os jovens diretamente envolvidos, mas também para suas famílias, para a sociedade e para o Estado. Assisti a reuniões de famílias que têm filhos dependentes químicos. É emocionante e triste ver a luta dessas pessoas para “salvar” seus entes queridos do flagelo das drogas.
As últimas décadas do século XX foram marcadas pela guerra às drogas, na qual foram torrados alguns bilhões de dólares e milhões de pessoas foram empurradas para a marginalidade. Ultimamente, tem ganhado força a tese da descriminalização das drogas. Segundo a Comissão Latino-americana sobre Drogas e Democracia, as políticas baseadas na repressão à produção e ao tráfico, bem como na criminalização do consumo, não produziram os resultados esperados. Mas, antes de empunhar a bandeira da descriminalização, convém lembrar a experiência da Holanda, que liberou o uso de drogas e vem se tornando a terra dos dependentes químicos.
Esse é um debate para longos anos, tendo em vista os grandes interesses políticos e econômicos envolvidos. Seja como for, devem ser adotadas urgentes medidas de redução de danos, principalmente sobre a juventude, por meio de políticas públicas de educação, trabalho, prevenção às drogas e, para os que já se tornaram dependentes, tratamento adequado.
Campanhas agressivas, como as de combate ao tabagismo, devem ser empreendidas para combater as drogas. As escolas devem incluir essa questão como tema transversal de todas as disciplinas de sua grade curricular. Os agentes comunitários de saúde devem ser capacitados para tratar do problema com as famílias atendidas. Os governos federal, estaduais e municipais, junto com as famílias, escolas, igrejas, associações de moradores, sindicatos, movimentos da juventude e outros segmentos e entidades da sociedade civil, precisam conjugar esforços para combater as drogas e estender a mão a uma parcela considerável da juventude, que está perdida nesse submundo perverso.
Diante das proporções do problema, a única postura que não se espera do Estado e da sociedade é a inércia.
Por Paulo Duarte
Fiscal de Rendas do Estado e Deputado Estadual.






ROZE ALMEIDA
PARABÉNS DEPUTADO PAULO DUARTEaugusto cesar
coragem companheiro o povo corVereador Professor Bosco
Justiça foi feita com a Lei doCelia
Parabéns deputado Paulo DuarteLuciano
Paulo Duarte quero parabenizar